sexta-feira, julho 01, 2005

A Importância de “Ser Mãe”

Um dos autores que mais estudou a relação mamãe-bebê foi Winnicott e é baseado em suas idéias que desenvolvo este texto.

Penso que da mesma forma como somos obrigados a passar por um teste psicotécnica para tirar uma carteira de motorista, para entrar nas forças armadas, deveríamos também para poder casar e ter filhos. Infelizmente o que vemos atualmente é um total despreparo dos casais na hora de assumir uma decisão tão importante quanto estas. Muitos não se encontram prontos para se casar e muito menos para gerar e criar (o mais importante) outra vida.

Segundo Winnicott, as primeiras semanas de vida, até em torno dos 6 primeiros meses), são decisivos para a formação de uma personalidade segura do ser humano. É necessário uma relação mais do que íntima entre a mãe e o bebê, uma verdadeira simbiose deveria ocorrer durante esta fase inicial.

É nesta fase inicial onde a mãe deve se mostrar suficientemente boa para passar durante os tratos da criança toda a segurança, amor, carinho e atenção que este pequeno e dependente ser exige.

Somos todos portadores de uma disposição neurótica e psicótica, mas ela só se manifestará mediante a ação do meio. Se o meio não for favorável ao desenvolvimento da criança, dependendo da estruturação dada a esta personalidade podemos ter no futuro um neurótico ou um psicótico.

Quando nascemos somos inseguros, despreparados para lidar e sobreviver no mundo. Precisamos da ajuda de terceiros até certa idade para nos vestir, educar, alimentar e até mesmo para andar. Não reconhecemos o que é certo ou errado, somos orientados a reconhecer o que é um e outro dependendo de como é orientada a sociedade em que somos criados. Enfim, não temos ainda o que se conhece por EGO, precisamos de um ego auxiliar, um ego tutor para nos guiar até que “possamos andar com as próprias pernas” (termos nosso livre arbítrio). Quem nos emprestará este ego tutor até certa idade é nossa figura mãe (que pode ser a mãe biológica, nossa avó, tia, ama de leite, babá, etc..). Dos três/quatro anos de idade entrará na jogada a figura paterna (que não necessariamente também seja o pai biológico); este será o responsável pela construção do que se conhece por superego (o censor crítico, moral e ético).

Se quando pequenos não formos amparados e preparados por este ego amável, quando chegar a hora de entrar em cena o superego seremos agredidos e começaremos a desenvolver nossas neuroses e psicoses paulatinamente, por não termos algo que filtre e elabore o que entra e o que sai de nossa mente.

As mulheres deveriam atualmente não dão tanto ouvidos as recomendações das mais velhas como ocorria décadas atrás, muito se deve a revolução que a sociedade passou nas últimas décadas e a mudança de vida que as mulheres obtiveram reconhecimento. Por um lado isto foi muito bom, realmente precisava ocorrer tudo isso para que as mulheres deixassem a posição de submissão que sempre foram forçadas a adotar; por outro lado ...... isso acabou forçando um rompimento mais precoce durante o período de amamentação entre a mãe e o bebê. Quando me refiro a um rompimento, não estou falando somente de um afastamento físico, mas emocional, afetivo também.

As vezes a mulher chega tão cansada em casa que ela não dá de mamar ao filho, apenas coloca a boca da criança no peito e espera ele chupar. Acabou vai para o berço. Não tem aquela ligação olhos nos olhos, a interação de carinho. Com isso a criança sente aquele peito frio, sem gosto, sem sal. Não sente o calor do corpo da mãe, pois a mãe está frígida emocionalmente.

Mas espere ai, então tudo recai sobre a mulher mais uma vez? O homem sai ileso disso tudo? NÃO , pelo contrário, nestas horas é a figura do companheiro o maior responsável pela sustentação da figura da mãe boa. Quando a mulher chega em casa acabada, cansada e o companheiro está lá pronto para ajudar, a repartir os deveres da casa e do filho, qual a mulher que não se sente mais amparada e disposta a amamentar?

Então é preciso haver comunhão, estabilidade em uma família para a criação de uma criança. Uma casa onde mãe e pai não se entendem, onde não há harmonia, companheirismo, não há como repassar estabilidade emocional para esta criança recém nascida. Ela se sentirá insegura e posteriormente em um ambiente inseguro e instável.

Por isso, mães e futuras mamães (e avós de primeira viagem orientem suas filhas), é preciso muita estabilidade emocional e afetiva não só da mãe, mas do pai também, para a criação de uma criança. É preciso atenção, carinho, contato físico e afetivo principalmente nos 6 primeiros meses (não que depois se deva largar de mão, esta atenção continua, mas é importante atentar para este período). Qualquer insegurança pessoal deve ser trabalhada e estabilizada ANTES do nascimento da criança e não depois. Como se diz "não basta ser pai, tem de participar", não basta colocar o filho na cama para dormir, tem de embalar e contar estórias para dormir. Não basta dar o peito, tem de amamentar, olhar, sentir, curtir, sorrir, amar.

terça-feira, maio 31, 2005

Bem Vindo !



Vamos conhecer um pouco
sobre o que é psicanálise e fazer análise?



O que é Psicanálise e Fazer Análise ?

A psicanálise é uma ciência que ocupa-se dos distúrbios psíquicos originados no inconsciente. Tem como propósito descobrir as necessidades, complexos, traumas e tudo aquilo que perturba o equilíbrio emocional do ser humano e que se encontra recalcada (afastada e presa) no inconsciente. É uma psicoterapia que se desenvolve no plano dialético interpretativo, visando a reeducação afetiva da pessoa, por meio da conscientização dos motivos que a levam a ter determinados comportamentos ou sintomas.
A análise consiste, essencialmente na evidenciação do significado inconsciente das palavras, ações e produções imaginárias (sonhos, fantasias, etc.) de um indivíduo.
A psicanálise pode ser utilizada também como uma psicoterapia de apoio nos casos de tratamentos de ordem psiquiátrica, não inviabilizando ou mesmo substituindo a necessidade do acompanhamento médico e medicamentoso.

Diferenças entre a Psicologia, a Psiquiatria e a Psicanálise - a quem procurar ?


Estas três áreas trabalham com as chamadas psicoterapias e o que as diferem é justamente a abordagem adotada por cada profissional.
Os psiquiatras possuem formação médica e é o que lhes habilitam a prescreverem medicamentos que auxiliam o tratamento psicoterápico.
Sua área de atuação é para o tratamento do que se conhece por distúrbios estruturais da mente, ou seja, quando há um desequilíbrio químio-fisiológico que predispõe o indivíduo a um transtorno mental, o qual precisa ser compensado quimicamente e onde só a psicoterapia não seria eficaz.
O psicólogo atua nos distúrbios ligados ao comportamento (familiar, social, profissional, etc.), distúrbios de aprendizagem, etc. Em geral eles atuam basicamente com problemas da esfera consciente e pré consciente, podendo ou não seguir a linha psicanalítica do inconsciente.
Os psicólogos e psicanalistas não se encontram autorizados legalmente para prescreverm medicamentos; quando a situação se faz necessária, o encaminhamento médico deve ser realizado e o tratamento psicoterápico passa a ser de suporte ao medicamentoso.

Quem é o Psicanalista e sua Formação ?


Para se ter uma formação de psicanalista é preciso primeiro que o profissional já tenha uma formação de nível superior, independendo da área de graduação (humanas, exatas ou biológicas). Que ele ingresse em uma Escola ou Sociedade Psicanalítica, curse e obedeça as normas vigentes da respectiva Sociedade que faz parte.
Uma vez formado ele irá aplicar os postulados, técnicas e métodos da psicanálise no tratamento, prevenção e educação do ser humano como pessoa e integrante de uma sociedade.

Quem deve fazer análise ?

Teoricamente qualquer pessoa pode fazer análise, uma vez que reconhecer ser possuidor de uma neurose não significa em hipótese alguma dizer que é portador de um tipo de "loucura". As neuroses são simplesmente um conflito que se origina entre o que queremos e o que podemos ter ou ser, um conflito entre o que chamamos de nosso ego (parte consciente da mente) e nosso id (parte inconsciente da mente).


Recomendações aos Pacientes Para a Análise On Line


Para as sessões os pacientes devem seguir estas recomendações:

1º) Prepare o ambiente onde irá realizar as consultas;
2º) Certifique-se que não será interrompido, distraido por telefones, familiares ou qualquer outra coisa que possa tirar sua concentração. O momento da sessão deve ser reservado só para ela e toda a atenção deve estar voltada para ela nos próximos 50 minutos.
3º) Sente-se confortavelmente
4º) Não responda ou abra conexão com outras pessoas durante sua sessão, previna-se colocando o aviso de "ocupado";
5º) Não fique mexendo na internet em outras janelas durante a sessão
6º) Não procure conversar elaborando frases bem feitas, converse normalmente e não ligue para erros de digitação, muitas vezes estes "erros" não são simples erros.
7º) Não fique procurando o que falar, fale o que tiver vontade, o que lhe vier a cabeça da forma como voce quiser.
8º) procure não faltar ou se atrasar, os 50 minutos estão reservados para voce e neste tempo nenhum outro paciente entrará, portanto mesmo faltando a sessão será cobrada e questionada quando não avisada com antecedencia a falta.
9º) Sonhos devem ser relatados, se preferir pode enviar por email caso ache que possa esquecer até o dia da consulta.
10º) Ao usar web cam, não estranhe se ao iniciar a sessão o analista desligar a dele. Este procedimento visa substituir a posição do analista atrás do divã, longe do olhar do paciente. Ao final da sessão o analista ligará a web cam para o contato final. O paciente estará livre para, caso deseje, desligar a sua web cam também, não é obrigatório seu uso pelo paciente.

Atendimento Psicanalítico On Line A análise on line em nada difere da análise clássica de um consultório real. A diferença encontra-se apenas na praticidade do uso do computador e da internet, além do fato do paciente manter uma privacidade maior e evitar todos os transtornos de um deslocamento a um consultório real (problemas de transito, estacionamento, escadas, etc.). Para aqueles que ainda não possuem um conhecimento do que é psicanálise, recomendo dar uma olhada na página inicial para tirar suas dúvidas.

O atendimento psicanalítico on line se dá através de um contato inicial via e-mail, com o envio da aceitação do contrato analítico. Neste primeiro contato por e-mail, será enviado ao paciente as normas de uma sessão de terapia, explicando como será realizada as sessões, assim como será informado a agência e conta corrente do profissional onde deverá ser depositado o valor de R$ 50,00 referente a 1ª consulta. O comprovante de depósito da consulta inicial, deverá então ser remetido para o mesmo e-mail no prazo de até 24 horas antes da hora acordada para as sessões de análise on line.
Estes dados bancários servirão também para os depositos subsequentes nos valores acertados entre o analista e o paciente. O valor dependerá de cada paciente, a fim de que o valor cobrado não seja alto demais para inviabilizar o tratamento, nem mesmo baixo demais que comprometa o efetivo trabalho por parte do paciente.
Os equipamentos permitidos para a realização das consultas serão uma web cam, via teclado pelo messenger e o uso de microfones.
Não será permitido a correspondência ou qualquer outra forma de contato entre o paciente e o profissional fora dos dias de análise.
Para maiores detalhes do contrato, recomendamos a leitura do mesmo antes do contato inicial.

Qualquer dúvida, contate-nos pelos e-mails:

marcondescasa@hotmail.com

marcondes1971@yahoo.com.br

Contrato Analítico


Ambas as partes ficam acordadas para as seguintes condições de atendimento on line:

1º) A análise on line respeitará a ética psicanalítica em todo o seu teor, principalmente no que tange ao sigilo profissional;
2º) Os dias e horários das consultas serão combinadas entre as partes via e-mail através do endereço marcondescasa@yahoo.com.br
3º) O atendimento tem duração de 50 minutos. Se a sessão for interrompida por razões imprevistas (quedas de energia, problemas com provedores, etc.), a conclusão do atendimento será combinada assim que for possível o restabelecimento da comunicação entre as partes;
4º) Enviar por e-mail (para o endereço acima mencionado) uma cópia da carteira de identidade (lado da foto), número de CPF ou carteira de motorista (lado da foto). Este procedimento tem por finalidade propria preservar atendimentos não autorizados a menores por pais ou responsáveis;
5º) O honorário para a primeira consulta é de R$ 50,00 que deverá ser previamente depositado, pelo menos 24 hs antes do horário agendado e o comprovante de depósito enviado via e-mail;
6º) Após a 1ª consulta, os honorários subsequentes serão combinados e deverão ser depositados na íntegra mensalmente pelo total das sessões acoradadas para o mês seguinte;
7ª) Serão cobradas as consultas em que os clientes deixam de comparecer sem aviso prévio de 24 horas anteriores ao horários agendado
8ª) No caso de impedimento por parte do psicanalista ou do analisando (paciente), o atendimento será suspenso provisóriamente com aviso prévio de pelo menos 10 dias de antecedencia;
9ª) Deve o analisando (paciente) tomar as devidas providencias sobre segurança on line, assim como a parte referente ao analista encontra-se assumindo também fazer para preservar o sigilo dos atendimentos;
10ª) Os períodos de férias e feriados deverão ser estabelecidos com pelo menos 60 dias de antecedencia por ambas as partes. Durante este período o analisando fica isento do depósito mensal de suas consultas. Devendo retomar os depósitos no primeiro dia útil após o vencimento das férias;
__________

Declaro que estou ciente e concordo com o estipulado no presente Blog, sua metodologia e condições para os atendimentos psicanalíticos on line, bem como todas as situações relativas a segurança e sigilo profissional do atendimento, sendo de minha total responsabilidade os possíveis vazamentos de dados confidenciais em decorrencia de falta de cuidado, imperícia ou impudencia por parte do analisando, eximindo o profissional de quaisquer responsabilidades.
Este termo e o conteúdo do contrato acima descrito devem ser impressos e devidamente assinado de próprio punho pelo paciente e enviado via e-mail para o endereço: marcondes1971@yahoo.com.br

Contato

marcondescasa@hotmail.com


marcondescasa@hotmail.com

marcondes1971@yahoo.com.br

Síndrome do Pânico

O que é a síndrome do pânico? De onde ela vem? Como trata-la? São questões que muitos tem, inclusive aquelas pessoas que suspeitam serem portadoras da síndrome do pânico. Algumas possivelmente poderão ser enquadradas dentro desta síndrome, outras poderão ter um transtorno de ansiedade generalizada e outras quadros de depressão.

Como identificar? Recomendamos iniciar a pesquisa procurando um psiquiatra e posteriormente um psicólogo ou analista para dar início a psicoterapia concomitantemente ao tratamento medicamentoso.

Por síndrome diz-se todo conjunto de sinais e sintomas clínicos e laboratoriais que caracterizam determinada doença. Na síndrome do pânico o DSM-IV (livro de classificação das doenças) diz que para se caracterizar a síndrome do pânico o paciente deve apresentar simultaneamente pelo menos 04 dos seguintes sinais e sintomas: palpitação, sudorese, tremores ou abalos, sensação de falta de ar ou sufocamento, sensação de asfixia, náuseas ou desconforto abdominal, dor ou desconforto torácico (no peito), desrealização (sensações de irrealidade), despersonalização (estar distanciado de si), tontura ou vertigem, medo de perder o controle, medo de enlouquecer, medo de morrer, sensações de parestesia (adormecimento) ou formigamentos em extremidades ou membros, sensações de calor ou calafrios. Em geral eles iniciam sem aviso prévio e de forma súbita.

Devemos também diferenciar pânico de medo, fobia, ansiedade e angustia. Por medo define-se uma apreensão frente a um perigo real, externo e imediato. Por fobia uma apreensão frente a um perigo imediato, mas nem sempre real e externo. A ansiedade é uma sensação de que algo de ruim está para acontecer, sempre movido por um fato que ainda não ocorreu e trazendo um sofrimento individual antes mesmo do fato realmente ocorrer. A ansiedade nem sempre deve ser considerada uma doença, ela faz parte de nosso ser e está presente em muitas situações (véspera de provas, de uma entrevista de emprego, de uma declaração de amor, de uma palestra, etc.), podendo vir a ser considerada uma doença se sempre aparecer por qualquer motivo e trazer desconfortos por longos períodos de tempo. A angústia é um sentimento que ocorre caracterizado por sensações de aperto no peito, uma sensação de vazio interno, sendo originado quase sempre por um motivo impreciso e indefinido, normalmente não real e fazendo parte de nossos conflitos internos, de nossas fantasias e desejos inconscientes.

As causas da síndrome do pânico são individuais, não há como desejar reconhecer uma única causa para diagnosticar este problema. É preciso que o paciente fale para que o terapeuta possa lhe conhecer, bem como a seus problemas, seus conflitos, como e quando a doença ocorre, para que se possa criar possibilidades de terapia através dos insights, da busca pela mudança e da transformação individual, da resolução de seus eventuais conflitos inconscientes internos.

Aqui abordaremos dois tipos de terapia que podem ser usadas para os portadores de síndrome do pânico: a psicanálise e a hipnose.Tanto uma quanto a outra trabalharão com os conteúdos que o paciente verbaliza durante sua sessão. A verbalização livre fará com que comece a haver a concatenação de idéias, sentimentos, afetos, recordações até então livres e não conscientes, levando o paciente a perceber aos poucos a forma como ele percebe os eventos desencadeadores de sua doença e como ele as mantêm (cultiva). Desta percepção ele mesmo começará a elaborar novas possibilidades de evitar e contornar situações que gerem ansiedade e produzam posteriormente seu pânico. O que pode vir a dificultar certos casos serão os diversos mecanismos de defesa psíquicos que alguns pacientes podem criar para fugir de seus conflitos internos e de um possível sofrimento.

A análise ou a hipnoanálise levará o paciente a tornar consciente os motivos inconscientes que o levam a desencadear todo o processo de ansiedade, angústia e por fim pânico. Todavia, como foi dito acima, seja qual for a abordagem utilizada, recomendamos paciência na obtenção de resultados, pois o paciente lutará consigo mesmo, através das referidas defesas psíquicas que procuram evitar a dor e o sofrimento.

A hipnose pode em alguns casos facilitar o acesso ao conteúdo focal da ansiedade e em outros deve ser postergado seu uso até que o ego do paciente tenha apoio suficiente para elaborar o que quer que saia de sua memória inconsciente. Normalmente para se evitar riscos e sofrimento desnecessários, iniciamos comumente pela psicanálise clássica e o uso da hipnose virá caso haja a necessidade e a oportunidade de se acelerar o processo, caso contrário o paciente será orientado a continuar sua terapia de forma clássica até o fim. O maior risco envolvido no uso indevido da hipnose é desencadearmos no paciente uma crise depressiva desnecessária por falta de apoio egóico.

Quando recebemos pacientes com quadros de desesperança que indicam a possibilidade de desenvolverem facilmente uma depressão, a hipnose deve ser usada não para descobrir focos que desencadeiam o pânico, mas para resgatar lembranças boas, alegres e enriquecedoras que venham a fortalecer o ego e a auto-estima desta pessoa, para que se possa dar início posteriormente a busca pela causa original através da abordagem clássica (e não pela hipnose). Batendo sempre na tecla das boas recordações, fazemos aos poucos o paciente perceber que há algo de bom dentro dele e que ele pode se apoiar nesta sua parte para enfrentar a vida e seus problemas, que ele não se encontra totalmente desamparado como pensa estar.

Porquê não levar em conta o fator emocional dos pacientes em Odontologia e Medicina?

Existe uma cultura em nosso país de que devemos clinicamente em teoria sempre observar o lado psicológico de nossos pacientes, mas que na prática nem de longe devemos abordar esta questão com eles sob pena de sermos chamados a atenção de que o estamos rotulando de maluco e assim o perdermos como cliente. Uma desculpa muito utilizada para driblar esta "saia justa" é de que não dispomos de tempo para ficarmos conversando com nossos clientes, o que não nos possibilita anotar a questão do emocional. Isto não é verdade, pois se levantarmos o quanto cada dentista conhece de seu paciente após um ano de tratamento, pelo menos 90% destes já sabem o que seu paciente faz, quantos compõem sua família, quais seus nomes, isto se já não se encontram também sob tratamento, além de sempre ouvirem os lamentos e problemas do que está ocorrendo nas casas destes pacientes.

A verdade é que os profissionais da área da saúde não querem abordar assuntos polêmicos e tabus com seus pacientes; a agravante para nosso campo odontológico é que os dentistas além de se enquadrarem no rol tabu citado, não possuem nas faculdades uma cadeira de psicologia médica e psiquiatria como a que existe nas faculdades de medicina. Não saímos com conhecimento necessário ou mesmo suficiente para atuarmos clinicamente como profissionais completos da área da saúde. Assim como muitos médicos acabam vendo somente a sua área de atuação, o dentista acaba prestando atenção somente em dentes e, quando muito, na mucosa adjacente. Mas deixemos de lado as demais áreas da saúde e foquemos nossa atenção em nossa profissão.

Não é raro ao atender um paciente em radiologia ouvir destes as mais diversas queixas e questionamentos sobre o tratamento instituído ou proposto. No entanto o que mais observo não é um descontentamento propriamente dito em relação ao tratamento, mas uma frustração destes pacientes em relação ao relacionamento com seus dentistas, ou melhor dizendo, a falta deste relacionamento.

Não estou querendo com isso dizer que devemos repassar minúcias técnicas para nossos pacientes que eles não as entenderiam ou poderiam ficar mal interpretadas, mas que devemos dentro das capacidades culturais de cada um coloca-los a parte do que esta sendo proposto ou feito. Mas falar sobre isto para dentistas também é ineficaz, pois sempre se ouve isso em cursos específicos de cada área; façamos o seguinte, exemplifiquemos o que foi dito para que cada um se coloque na pele do paciente. Pergunto: quem já não foi a um atendimento médico onde o médico nem se quer olhava direto em seus olhos? Onde a anamnese e o exame foram relâmpagos, deixando-nos com a sensação de que a receita já estava prescrita antes mesmo de entrarmos? Quantos de nós continuamos o tratamento com este médico ou mesmo o indicamos a parentes e amigos? Pois é, se nós não gostamos deste tipo de atendimento, porquê o repetimos com nossos pacientes?

Mas onde esta questão do relacionamento e o conhecimento emocional entram em nossa clínica? Mais uma vez colocarei sob a forma de dois exemplos que me ocorreram ano passado para que possamos entender. Ambos me foram enviados para atendimento radiológico e antes de realiza-lo ou durante o exame costumo sempre conversar com o paciente para conhecer seu caso ou mesmo para “sentir” suas expectativas e fantasias.

O primeiro relatava seu descontentamento com o ortodontista, com quem se tratava a três anos, e com o periodontista, com quem estava a 7 meses. Em relação ao primeiro encontrava-se a queixa do transtorno das ATMs que nos últimos 06 meses vinham piorando; em relação ao segundo a um sangramento e inflamação na gengiva persistentes. Perguntei a ele o que ele fazia e qual o nível de ansiedade que ele percebia em seu trabalho ou na família. Conversando com ele o orientei a pensar sobre estes aspectos e a estudar uma forma para melhor elaborá-los. Meses mais tarde o encontrei casualmente e eis que ele me conta que depois daquela conversa ele reavaliou seus padrões de vida e que o motivo de suas queixas haviam terminado. Dito isso o orientei então a sempre que reaparecer seus sintomas a procurar um psicólogo para que este o auxilie – o orientei desta forma pois não vi neste caso um fundo psíquico que a psicanálise pudesse intervir eficazmente, uma abordagem psicológica comportamental teria um resultado melhor.

O outro caso foi de uma jovem babá que estava sob tratamento de reabilitação oral e de dores orofaciais decorrentes de uma DTM. Durante seu atendimento descobri que a criança de que ela cuidava havia falecido a 04 meses, período em que se deu o início de suas dores músculo-articulares. Ficou óbvio que qualquer tratamento estabelecido estava fadado ao fracasso antes mesmo de iniciar. Da mesma forma a aconselhei a procurar ajuda psicológica pelo mesmo motivo acima mencionado.

Mas nem só da psicologia devemos lançar mão, da mesma forma como já orientei pacientes para procurarem apoio com a psicologia, também já houve momentos que os aconselhei a procurarem um psiquiatra ou mesmo apoio na psicanálise. Cabe ao profissional orientar, explicar o porquê e encaminhar, se o paciente decidirá ou não acatar a orientação do profissional isto é outra estória. Se por preconceito ou resistências psíquicas ele evita buscar o apoio psicológico, isto já passa a ser problema do paciente; pelo menos fizemos nosso papel como profissionais e se o tratamento acabar sendo comprometido pelo estado emocional do paciente, este saberá porquê seu tratamento não esta dando certo e não poderá culpar o dentista.

Entretanto, não realizar este aconselhamento e orientar o paciente a resolver seus conflitos é querer ficar “dando murro em ponta de faca” e ver sempre seus trabalhos em um prazo de 06 a 12 meses serem pouco a pouco destruídos e o estado do paciente voltar a estaca zero em um curto espaço de tempo (isto quando o problema não sofre remissão e sempre permanece no mesmo patamar). Nestes casos o mais comum é o paciente acabar trocando de dentista e falando mal do trabalho do colega.

O trabalho conjunto entre médicos, dentistas, psicólogos e psicanalistas deve sempre ocorrer em casos onde a ação patológica possui como fatores etiológicos causas múltiplas e/ou mesmo indefinidas a primeira vista.

O Ciúme

O ciúme é normal quando o consideramos como uma forma de correspondência passageira à intensidade de amor em determinado momento do relacionamento amoroso pessoal, não interferindo na vida e no relacionamento das pessoas envolvidas.

Ele passa a ser considerado anormal quando o amor entre duas pessoas visa o preenchimento narcísico daquele que sente ciúme. Para estas pessoas é muito difícil para não dizer quase impossível desenvolver e cultivar um amor verdadeiro, pois todas as suas relações (inclusas as de amizade) baseiam-se no cultivo de uma necessidade preencher um vazio próprio. Poderíamos dizer que elas não amam, apenas si amam.

Este tipo de ciúme não aparece enquanto o ciumento entender que todas as suas necessidades de amor e atenção encontram-se preenchidas. A partir do momento que ele as deixa de perceber (por exemplo, devido as demandas profissionais do parceiro) ou as vê ameaçadas por terceiros (novos relacionamentos de amizade, sentimentos de competição com os do sexo oposto, etc.), o ciúme começa a dominar e a minar sua vida, seus relacionamentos, seu trabalho.

Podemos observar este ciúme não apenas por pessoas amadas, mas também por objetos ou mesmo animais de estimação. É um sentimento infantil muito observado nas crianças e que é preservado na fase adulta e manifestado quando a situação não lhe é favorável.

Durante os ataques de ciúme poderemos observar uma mistura de sintomas como depressão, agressividade, inveja, ansiedade, angústia, medo (de perder o seu amor), baixa auto-estima. Nestas horas pode haver um maior apego a bens materiais, como uma forma de preencher o dito vazio próprio ou mesmo como forma de retorno ao apego a objetos transicionais da infância (ursinho de pelúcia, travesseiro, toalha, cobertor. Para exemplificarmos o que é um objeto de transição e sua importância, reporto o leitor a figura do garoto “Lino”, aquele que vivia com um cobertor na mão no desenho Snoopy. Sempre que ele perdia seu cobertor entrava em desespero, verdadeiro pânico).

Este ciúme não pode ser encarado apenas como uma forma de reação dolorosa a frustração amorosa, se assim o fosse seria facilmente percebido e trabalhado ou mesmo substituído por algo que não lhe trouxesse frustrações. Ela decorre de uma situação passada por esta criança onde ela se sentiu humilhada, desprezada, ferida em sua estrutura narcísica (de amor próprio), deixada de lado e que por algum motivo inerente ao indivíduo ou ao meio em que foi criado, ele não fora elaborada e trabalhada, mantendo-se aberta e inconsciente a espera de uma solução.

Estas condições que predispõem uma pessoa ao ciúme patológico também podem se mostrar de uma outra forma: no relacionamento com pessoas que o ciumento julga serem inferiores a ele, geralmente se mostram perfeitamente normais, mas quando se relacionam com pessoas que ela julga serem superiores a si (no intelecto, socialmente, profissionalmente, culturalmente, etc.), é comum o resgate de sentimen-tos como o serem esmagadas, pisoteadas, humilhadas. Nestes casos o indivíduo se estrutura dentro de um mecanismo de defesa que visa evitar as situações de risco, passando a se relacionar apenas com pessoas que preencham suas necessidades e não ofereçam risco, neste caso há homens que só se relacionam com mulheres, indivíduos que procuram relacionamentos somente com pessoas mais novas ou com aquelas que normalmente encontram problemas relacionados a situações de discriminações (raciais, sexuais, ideológicas, etc.)). Nestes casos ela se sente segura e em suas fantasia inconsciente sabe (ou pensa) que não irá sofrer.

É um trabalho pesaroso, lento e problemático para que estas pessoas percebam seu comportamento, trabalhem e mudem sua estrutura narcísica e reconstrua uma auto-estima mais favorável. Muitos desistem no meio do caminho, outros passam a colecionar analistas e terapias as mais diversas para seu problema durante sua vida. Com isso não estou dizendo que é impossível haver um resultado psicoterápico positivo para estas pessoas, mas que irá depender muito de sua vontade em mudar, pois como falei o trabalho é demorado e árduo. Mas um outro ponto tão importante quanto e que não deve ser esquecido nestes tipos de relacionamentos é justamente o outro, o parceiro do ciumento. Não podemos lembrar sempre apenas do ciumento e esquecer seu parceiro (a), pois caberá a ele a decisão de se deve tentar seguir ou não com este relacionamento. Se ele (a) estiver disposto (a) a enfrentar o problema do parceiro (a), ele (a) também deverá estar pronto para entrar em psicoterapia, para que possa agüentar e enfrentar as adversidades futuras. Caso contrário, de nada adianta mandar o ciumento se tratar se ele não tiver o apoio necessário para que sua terapia tenha sucesso.

Fobias - A Angústia Manifestada como Sintoma Neurótico

As fobias neuróticas em geral resultam de um aumento na intensidade de defesa da mente e paralelamente na tentativa inconsciente de manifestar conscientemente o conteúdo conflitivo reprimido em sua memória inconsciente.Quando ambas as forças ocorrem, a solução encontrada pela mente para que não haja um sofrimento maior é deslocar a essência (o simbolismo da situação) para um fator ou objeto (símbolo ou representante) que conscientemente não represente perigo ou que possa representar satisfatoriamente o que não pode ser evitado ou censurável, ou seja, efetua-se uma substituição de representantes do fato conflitivo não elaborado.

Vejamos o que Fenichel (2000) diz a este respeito: “… O grande reservatório das formações substitutivas é constituído de devaneios ou sonhos acordados. Com facilidade os impulsos reprimidos podem usar como derivados fantasias que realizam desejos e que se desenvolvem com aspecto de refúgio lúdico ou de substitutos da realidade desagradável … Se alguém reage a certo acontecimento de maneira exagerada ou com um tipo de afeto aparentemente inadequado, tem-se ai um sinal de deslocamento: o afeto relaciona-se, de fato, com alguma outra situação que terá sido reprimida…”.

Coloquemos de forma prática o que este autor quis dizer com tudo isso. Ter nojo de certos insetos, como as baratas, é considerado aceitável. Quando pensamos que iremos tocar em uma barata ou quando uma delas passa por cima de nosso pé ou caia em nossas costas e nos ocorra uma sensação de asco, isto é considerado aceitável. Mas imaginemos aquelas pessoas que ao verem uma barata começam a gritar, chorar, subir em cadeiras, privadas, mesas, a terem verdadeiros ataques nervosos por causa deste inseto. Convenhamos, tal reação diante de algo tão pequeno não pode e nem deve ser considerado normal. O mesmo pode ser estendido para os ratos, lagartixas, minhocas, dentistas, médicos, injeções, exames laboratoriais, veículos de transporte e deslocamento (avião, trem, carro, bicicleta, motocicleta, elevadores, etc.), e entre outros objetos.

O que vai determinar a escolha do objeto a ser temido? Como escolhemos as situações consideradas perigosas? Estas escolhas podem ser feitas de forma direta ou indireta. As formas diretas de escolha podem ter uma origem a) traumática (um dentista não muito paciente com uma criança ou uma injeção dada de forma abrupta e sem os devidos cuidados técnicos, um acidente de carro, etc.); b) em uma situação de intensa excitação sexual não trabalhada ou castrada durante a infância (que determinarão uma futura aversão ao sexo, resultando em casos de frigidez ou impotência); c) decorrentes de intensos sentimentos de culpa impostas pela mente (cuja origem pode ser imputada a rígida educação dada pelos pais ou mesmo inerente a características do indivíduo); e por fim temos as causas indiretas e ocultas, cujo significado é inerente a uma forte natureza histérica que fica reclusa em nosso inconsciente e que cujas associações não possuem um fato determinante específico.

Antes de prosseguir devo esclarecer rapidamente o que quis dizer com “uma forte natureza histérica”. Há pessoas que a forma como lidam com a sexualidade denotam um caráter dito histérico, ou seja, elas lidam relativamente bem (ou não) com sua sexualidade, porém não conseguem lidar bem com situações sexualizadas. Em geral para estas pessoas, a situação ou objeto que ela evita possui certo significado especial para elas. De modo ainda mais distorcido, isto pode representar uma simbolização ou tentação ao impulso rejeitado, ou mesmo castigo de impulsos inconscientes, ou ainda, uma combinação de uma coisa e outra (Fenichel, 2000).

Enfim, o que faz com que certo fato, objeto ou idéia assuma um caráter fóbico pode ser que seja ou por que a qualidade deste fato, objeto ou idéia é bem diferente daquela que se encontra sob o jugo das repressões ‘de nossa mente, ou pode ser por que pode ter conexões com uma idéia desejada, mas que se encontra rejeitada conscientemente.

Segundo Fenichel (2000), a psicanálise em geral encontra-se indicada para o tratamento das neuroses fóbicas, contra-indicando-se apenas em certos casos onde a análise não encontra um prognóstico muito favorável (os ditos conflitos pré-genitais e agressivos, como o caso de acidentes). Nestes casos a psicoterapia comportamental é bem mais indicada, por promover no paciente uma gradual dessensibi-lização do fator traumático. Mesmo em psicanálise, o analista deve em alguns casos abandonar sua postura ortodoxa de neutralidade e intervir, procurando promover no paciente uma forma de que este procure se expor e enfrentar o que lhe causa medo, procurar sentir e trabalhar os sentimentos que afloram durante a situação temida, para que assim deixem de lhe atormentar.

Artigos e outros trabalhos

A Angústia Social – A Visão pela Psicanálise

A angústia social é aquele medo constante de ser criticado, excluído, punido, chegando muitas vezes a ser caracterizada como “vergonha”.
Esta desagradável sensação se encontra intimamente relacionada ao que se conhece em psicanálise como “sentimento infantil de castração ou de perda do amor”, ou seja, aquele medo que as crianças tem de serem castigadas ou mesmo de não serem mais amadas por um de seus pais, em especial aquele que for do sexo oposto ao seu.
Durante toda a nossa infância somos preparados para que teoricamente quando adultos possamos lidar com as adversidades e exigências que meio nos impõe. A cada dia que passa estas adversidades e exigências aumentam absurdamente; a competição do meio social é cada vez maior, gerando o que conhecemos atualmente por “globalização”. Desde a revolução industrial iniciada no século retrasado, a sociedade vem evoluindo em uma constante escalada na procura pelo profissional mais bem capacitado e preparado para lidar não somente com questões técnicas inerentes ao seu ofício, mas com os imprevistos que possam fugir do que lhe é habitual. Dentro destas premissas passamos a educar nossos filhos para que possam responder a tais exigências.
Devemos educar sim nossas crianças e adolescentes para que estejam preparados para enfrentar estas angústias sociais, sentimentos este considerados hoje comuns, normais e aceitáveis. Porém, não devemos nos deixar cair nos extremos desta situação, ou seja, de um lado sobrecarrega-las com nossos medos de que elas não sejam capazes ou, por outro lado, de simplesmente deixa-las soltas para que não se estressem com os problemas dos adultos. Se as deixamos fora de nossa realidade estaremos prejudicando a sua construção do que se conhece por princípio da realidade, ou seja, no futuro próximo este indivíduo não terá condições (tato) de lidar com situações que necessitam de sua ação. Se cairmos no outro extremo e as deixamos em íntimo contato com as angústias adultas e lhe incutimos certo temor pela condição de adulto, estabelecemos neste um condicionamento onde futuramente o juízo de críticas e castigos é encarado de forma errada, seu medo é evidente e o torna incapaz da mesma forma de lidar com os problemas adultos.
É comum observarmos nestas pessoas que foram criadas em um destes extremos a conduta de serem e comportarem de forma dócil, cortes, atenciosamente, passivamente. São pessoas que odeiam silenciosamente que lhe digam o que e como fazer as coisas, mas não tem coragem de expor seus pontos de vista, receiam o que terceiros irão pensar deles, são pessoas que não suportam a idéia de que não lhe estejam dando a atenção devida. É comum isto ocorrer com aqueles indivíduos que trabalham com o público, como é o caso dos atores, músicos, jornalistas, vendedores, etc. onde cada abordagem inicial é sinônimo de dor, sofrimento, ansiedade, angústia e a cada final de abordagem sobrevém a sensação de alívio e bem estar caso obtenha um resultado positivo ou de um mal estar maior caso o resultado não tenha sido como o esperado.
Os resultados destas angústias sociais podem ser observados quer seja na vida profissional, pessoal ou sexual de um indivíduo. Em relação a vida profissional ela pode se manifestar por uma forma anti-social de viver, com prejuízos no rendimento profissional ou da carreira; na vida pessoal pode haver um restrição de relacionamento afetivos e sociais e na esfera sexual podemos ter casos de impotência sexual para ambos os sexos.
A análise fará com que o paciente reveja e analise a forma como foi criado desde a infância, quais os padrões comportamentais que lhe foram ensinados e como ele lida com as situações presentes quando estes padrões infantis são resgatados de sua memória. A partir do momento que o levamos a entender por que ele se comporta desta ou daquela forma, aos poucos ele próprio deixará de se dominar por suas angústias e passará a procurar lidar melhor e a enfrentar as adversidades de seu cotidiano.
DELLA CASA, Alessandro. A angústia social – A visão pela psicanálise – Belém-Pará: Jornal Estetoscópio, ano 8 nº 79, janeiro de 2005

Transtornos do Sono e Sintomas de Repetição – a visão pela Psicanálise

As causas que podem levar a um transtorno do sono de uma pessoa são várias e em geral possuem algum fator orgânico que deve ser sumariamente pesquisado normalmente por um neurologista ou um médico especialista em transtornos do sono. No entanto, quando perdemos o sono vez ou outra, ou seja, não é uma coisa freqüente, isto em geral possui um fator que normalmente é psíquico e que pode ser trabalhado ou por um psicanalista ou por um psicólogo.
O sono é um estado que em pressuposto significa que nosso corpo e mente deveriam estar totalmente relaxados, mas para uma mente excitada por conteúdos de resgate da memória infantil torna-se impossí-vel, resultando em insônia ou sono agitado.
Quando durante nosso dia a dia entramos em contato com fatores ambientais que em sua essência resgatam fatos não elaborados que se encontram registrados em nossa memória, isto acaba gerando um nível de ansiedade e/ou angústia intrapsíquica inconsciente que acaba por tirar nosso descanso noturno. O que torna muitas vezes difícil de reconhecer que a causa encontra-se em um fato passado é que o que nos vem à mente consciente é apenas o fato atual, o fato passado permanece retido em nosso inconscien-te. É desta premissa que alerto meus pacientes para tomarem cuidado com o óbvio, em geral o óbvio consciente é apenas uma parte (a desculpa, a ponta do iceberg) de nossos problemas.
Quanto aos sonhos repetitivos e aos pesadelos (sono agitado) em geral significarem conscientemente sofrimento para quem os têm, psiquicamente eles significam bem estar, pois é nestas horas que o conteúdo de ansiedade intrapsíquica é descarregada pelo indivíduo. A repetição dos sonhos visa uma tentativa de aos poucos a mente tentar lidar com aquilo que em outros tempos não lhe foi possível.
Uma outra forma de percebermos quando um fato atual encontra sua parcela de registro na infância é quando mesmo em vigília (quando estamos acordados) determinado pensamento ligado a um certo problema não nos sai da cabeça. Esta ruminação obsessiva de um determinado pensamento resulta de tentativas conscientes e inconscientes de nossa mente em resolver tanto os nossos problemas atuais, quanto os traumas pelos quais passamos e não resolvemos.
Por “traumas” entendemos o seguinte: é toda situação em que ocorre uma falha psíquica de uma pessoa em se adaptar ao meio em que vive. Esta falha no ajuste individual faz com que a mente tente encontrar novos meios, simples e não complicados, de ajuste ao meio diante de certo problema que possibilitem a ela naquele momento descarregar e se ver livre da ansiedade gerada pelo problema. Entretanto, apesar do problema ter sido “resolvido” da melhor maneira possível naquele instante, ele não desapareceu por completo, ficando registrado em nossas memórias para que em um futuro não muito distante a mente possa lidar melhor com ele e desta vez resolver de vez sua situação pendente. Mas quando este futuro chega praticamente esquecemos (conscientemente) pelo que passamos em nossa infância e daquele “problema” não resolvido, que permanece ativo e tentando se resolver dentro da esfera inconsciente. É destas tentativas inconscientes de resolução que acabamos tendo os ditos pensamentos ruminantes acima mencionados e quando perdemos nosso sono por determinado problema atual.
Para os que procuram na psicanálise a solução para seus problemas e conflitos alerta-se para que tenham paciência, pois o trabalho é demorado uma vez que se emprega o mesmo tipo de trabalho efetuado pelo sono na elaboração dos sonhos, ou seja, fazemos o paciente repetir seus atos, sintomas e fatos atuais e passados até a exaustão, para que aos poucos sua mente (ego) comece a juntar aos poucos as peças que se encontram soltas e passe a elaborar seus conteúdos inconscientes até que se tornem conscientes e seus sintomas desapareçam aos poucos. O pesaroso e complicado neste trabalho é que a mente da pessoa acaba não por enfrentar o psicanalista, mas enfrentando a si mesmo e evitando a pensar no que deveria ser trabalhado, surgindo daí os diversos mecanismos de defesa que procuram evitar que o assunto volte à esfera consciente.
É neste momento que o analista começa seu trabalho, pelas resistências apresentadas, ligando-as aos sintomas e atos que são repetidos pelo paciente até que ambos cheguem a origem dos problemas.
DELLA CASA, Alessandro. Transtornos do Sono e Sintomas de Repetição – a visão pela Psicanálise. Belém-Pará: Jornal Estetoscópio, ano 8 nº 80, fevereiro de 2005.

Masturbação

A despeito de qualquer questão ou preconceito religioso (tabus), em geral sempre ouvimos questio-namentos a respeito da masturbação, tais como: afinal a masturbação é normal ou não? Quando come-çamos a praticar? É normal praticar mesmo depois de adulto?
Por definição a masturbação significa a obtenção de prazer através da manipulação dos genitais. Pela psicanálise a masturbação é vista como uma forma de descarga de desejos sexual acumulados inconscientemente, sejam eles de qualquer tipo: desde decorrentes de estímulos sexuais propriamente ditos até mesmo como uma forma de descarga por não termos podido comprar um par de sapatos da moda que foi visto a tarde na loja.
A masturbação inicia-se ainda na mais tenra idade, mesmo durante a fase em que somos bebês podemos perceber a excitação e a masturbação como forma de obter prazer. Ela ocorre durante todo o desenvolvimento psicossexual infantil do ser humano e tem seu pico na fase denominada por Freud de fase fálica, onde toda a excitação recai juntamente com o interesse da criança para a região genital. Esta fase tem sua maior evidencia no período entre 04 e 06 anos, com uma média para os 05 anos de idade. Nesta fase a criança percebe que pode obter prazer manipulando seus genitais. Este interesse nas crianças é normal e deve ser bem trabalhado pelos pais, não havendo punições ou mesmo ameaças pelo fato deles estarem manipulando seus genitais, mas ao mesmo tempo ensinando limites para que eles não o façam em público ou mesmo para evitar que se torne um hábito. Habilmente devemos contornar a situação e procurar dar outras formas de descarga afetiva para estas crianças.
Atualmente ela é considerada uma forma normal de descarga emocional da libido durante toda a adolescência e pode ser considerada normal na fase adulta ou como uma forma de substituição quando não se dispõe de um objeto sexual ou quando é praticada juntamente com o parceiro sexual durante as preliminares do intercurso sexual.
Em uma pessoa adulta, podemos dizer que ele tem algum problema em relação a masturbação quando: a) a masturbação não é praticada na ausência de um objeto sexual e este se recusa em obter prazer pela masturbação, optando pela abstinência; ou b) então quando pratica a masturbação em intervalos regulares, mesmo tendo a sua disposição um objeto sexual – um (a) parceiro (a) –; ou c) quando o adulto prefere obter prazer pelo ato masturbatório ao invés de obter pelo ato sexual propriamente dito.
No caso em que o indivíduo se abstém da masturbação, seja qual for o motivo alegado por esta pessoa, encontramos subjacente a este caso um medo ou um sentimento de culpa inconsciente, muitas vezes originado na infância decorrente de proibições relacionadas ao ato masturbatório ou de medos advindos de sentimentos inconscientes de castração típicos da infância. Quando se prefere a masturbação ao contato sexual, isto pode indicar certo grau de timidez e inibição neurótica, decorrentes de sentimentos profundos de culpa, ou indicar certo nível de fantasia perversa, onde ele crê obter um maior prazer pela masturbação do que pelo contato sexual.
Outro fator que pode levar à masturbação freqüente é a incapacidade de se satisfazer sexualmente de forma normal, a isto chamamos de hiperssexualidade. Este transtorno em geral gira em torno de conflitos inconscientes ligados a agressividade, hostilidade, da expectativa da punição por tais pensamentos agressivos. Estes sintomas estão relacionados a forma como este indivíduo foi criado durante sua infância e, em geral, estas pessoas possuem também certo nível de neurastenia crônica.
De modo geral, a masturbação freqüente é uma forma de obsessão como qualquer outra atividade onde encontramos certo grau de exagero, ou seja, pela ótica psicanalítica, a masturbação em si não é vista como um problema no adulto, mas a prática masturbatória excessiva e freqüente sim. Ela torna-se sinônimo de uma forma de descarga excitatória através da manipulação genital, de uma necessidade não genital reprimida, rejeitada e inconsciente.
Por si a masturbação nos adolescentes e em crianças não cria futuros neuróticos, e nem mesmo os adultos que praticam masturbação são neuróticos. Mas a forma como é praticada ou mesmo se não é praticada, ou com que fins ela é praticada é que podem caracterizar uma pessoa com transtornos neuróticos de masturbação.
DELLA CASA, Alessandro. Masturbação – 1ª e 2ª partes. Belém-Pará: Jornal Estetoscópio, ano 7 nº 77/78, novembro/dezembro de 2004.